2026-09-25 · 7 min de leitura

Como eu faço engenharia com IA

A IA tornou a geração de código rápida. O desafio de engenharia mudou de lugar — para antes e para depois do código: definir o problema certo, montar o contexto certo, decidir com critério e verificar o que chega a produção.

Uso IA no ciclo inteiro de desenvolvimento — da especificação à implementação, até agentes embarcados em produto — com um processo de engenharia em volta. Este ensaio descreve esse processo como ele roda hoje, com os números que ele produziu.

01 — Desenvolvimento spec-driven

Definir antes de gerar.

Features começam com requisitos, decisões de arquitetura, restrições, critérios de aceite e tarefas de implementação. Os agentes trabalham contra especificações explícitas, em vez de inferir intenção de prompts espalhados.

Requisitos → Design → Tarefas → Implementação → Validação

No ERP Riavor, essa abordagem produziu quase 4 mil linhas de especificação em 15 documentos — arquitetura, controle de acesso, estoque, compras, vendas, fiscal, financeiro — antes de a implementação começar. Quando o agente escreve a primeira linha de código, o contrato já existe; a discordância aparece na revisão da spec, que é barata, e não na revisão do sistema, que não é.

02 — Engenharia de contexto

Contexto certo vale mais que prompt esperto.

Decisões de arquitetura, regras de domínio, convenções de código e conhecimento operacional viram contexto estruturado que o agente carrega quando a tarefa pede. No meu setup, isso toma a forma de skills reutilizáveis: cada uma empacota uma fatia de conhecimento do projeto — a topologia do servidor, o checklist de sanitização, o procedimento de deploy — e o agente puxa a certa na hora certa, em vez de reconstruir contexto a cada sessão.

Fontes → Skills → Recuperação → Contexto → LLM

O objetivo não é dar mais informação ao modelo — é dar a informação certa no momento certo, com fontes rastreáveis.

Para bases de conhecimento maiores, o próximo passo é RAG — recuperação sobre embeddings em vez de contexto curado à mão. Hoje, do meu lado, isso é estudo aplicado, não algo que rodo em produção; entra nesta lista no dia em que estiver no ar, com números próprios.

03 — Guardrails

Saída gerada é não-confiável até ser verificada.

Tudo que a IA produz — código ou ação de agente — passa pelos mesmos controles de engenharia: revisão de código, testes automatizados, checagem de tipos, varredura de segurança e validação de schema nas saídas estruturadas. Fluxos com agentes somam permissões de ferramenta e rastreamento por cima. Para operações de maior risco — qualquer coisa que toque dados de produção ou dinheiro — a execução fica atrás de aprovação humana explícita.

Revisão → Testes → Segurança → Schema → Aprovação

A regra é chata de propósito. Confiança é propriedade do pipeline, não do modelo.

04 — IA dentro do produto

IA também é parte da arquitetura.

Integro capacidades de LLM onde elas resolvem problema real de usuário ou de operação: automação de atendimento, agentes orientados a tarefa, extração estruturada, fluxos que conversam com sistemas existentes. Em produção, a automação de atendimento já criou 2,5 mil+ tickets numa operação de órgão público federal — triagem, classificação e abertura de chamados, rodando como parte do service desk.

Trato o LLM como mais uma dependência de sistema distribuído:

LLM APIs → Tool calling → Saídas estruturadas → Retries → Observabilidade → Guardrails

O modelo cuida de raciocínio e linguagem. O sistema em volta controla contexto, permissões, estado, validação e execução.

O princípio

IA acelera a execução. A engenharia decide direção e qualidade.

Eu entendo e respondo pelos sistemas que entrego. A alavancagem vem de combinar IA com fundamentos: arquitetura, design de sistemas, debugging, segurança, conhecimento de domínio e ownership de produção.

O perfil

Perfil em T — engenheiro de ponta a ponta, com profundidade em backend, integração de sistemas, automação e arquitetura resiliente.

Ownership — entendo o problema de negócio, avalio trade-offs, desenho a solução e sigo responsável pelo comportamento dela em produção.

AI-native — specs, engenharia de contexto, skills e harness de agentes fazem parte do fluxo diário de engenharia, não são experimentos isolados de IA.

Jogo global — comunicação técnica em inglês em specs, documentação, code review e colaboração assíncrona, com a conversação em desenvolvimento contínuo.